O Parlamento iraniano suspendeu por dois meses os debates sobre a adesão do Irã à Convenção das Nações Unidas para a Repressão do Financiamento do Terrorismo, em plena incerteza sobre o futuro do acordo internacional sobre seu programa nuclear. Foram 138 votos “a favor” e 103 “contra” (mais seis abstenções) pela suspensão dos debates sobre esta convenção internacional, informou a agência de notícias iraniana Isna. Discussões acaloradas dividem os parlamentares sobre essa adesão, que exige a adoção prévia, pelo Irã, de numerosas leis contra o financiamento do terrorismo e a lavagem de dinheiro. Os deputados conservadores afirmam que as novas leis – discutidas desde o ano passado – vão impedir o apoio iraniano ao Hezbollah libanês e ao Hamas palestino, cujos armados são classificados de “terroristas” pelos Estados Unidos e União Europeia (UE). Esses conservadores afirmam que essas novas leis também devem resultar na condenação de membros da Guarda Revolucionária, o exército de elite do regime, classificado por Washington como “terrorista”. Entre eles está o chefe das operações externas da força, Qassem Soleimani. Eles apresentaram neste domingo petições exigindo que o Irã não faça parte desta Convenção. “Por que atender aos pedidos feitos por nossos inimigos?”, questionou Hosseini Naghavi-Hosseini, porta-voz da Comissão de Segurança Nacional e Relações Exteriores. O vice-ministro das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, defendeu por sua vez a adesão do Irã, dizendo que é do interesse do país. “Este Parlamento foi vítima do Daesh (sigla em árabe para o grupo jihadista Estado Islâmico) no ano passado. Sem cooperação internacional, sem adesão às convenções internacionais, será impossível lidar com esses grupos”, justificou. “Em nosso país, há lacunas e fraquezas nas redes bancárias que, infelizmente, facilitam as ações de grupos terroristas e do narcotráfico”, acrescentou. O EI realizou um duplo ataque há um ano contra o Parlamento iraniano e contra o túmulo do fundador da República Islâmica, o aiatolá Ruhollah Khomeini, matando 17 pessoas. País predominantemente xiita, o Irã é considerado como um inimigo por grupos jihadistas sunitas como a Al-Qaeda e o EI. Mas com a retirada dos Estados Unidos no mês passado do acordo nuclear e a reimposição de sanções econômicas por parte de Washington, muitos parlamentares iranianos dizem que é irrelevante participar da Convenção sobre a Repressão ao Financiamento do Terrorismo. As outras potências signatárias do acordo nuclear – Grã-Bretanha, França, Alemanha, China e Rússia – estão tentando salvar esse texto, que segundo eles limita o programa nuclear iraniano.