10/07/2025

Como engajar times em Compliance: Cultura Organizacional, PLD-FT e ESG na prática

10/07/2025

O 7º Congresso Internacional do IPLD abriu espaço para um tema fundamental na agenda de integridade corporativa: ”Cultura Organizacional e Treinamentos de PLD-FT e ESG: Como Criar uma Empresa Alinhada à Conformidade”. O painel reuniu especialistas de destaque como Rodolfo Oliveira (Diretor de Compliance e Controles Internos da Raízen), Cristiane Soares (Gerente de Operações de PLD do Itaú Unibanco) e Filipe Alvarez (Head de Sustentabilidade, Meio Ambiente e Governança da Azul Linhas Aéreas).

Ao longo do debate, os painelistas discutiram desafios e soluções para transformar treinamentos em instrumentos efetivos de cultura organizacional, proteção contra riscos e geração de valor para as empresas. Em um cenário cada vez mais regulado, dinâmico e inovador, compreender como engajar pessoas e construir uma cultura de integridade deixou de ser diferencial: é, hoje, uma necessidade estratégica para organizações de todos os portes e setores.

Por que treinamento vai além da obrigação regulatória

Compreender o treinamento apenas como uma obrigação regulatória é limitar seu potencial de impacto na organização. No painel, os especialistas ressaltaram a importância de enxergar o treinamento como uma ferramenta estratégica de transformação da cultura corporativa. Para ilustrar esse ponto, Cristiane Soares fez uma analogia com o uso do cinto de segurança: “No início, usar o cinto era visto só como uma obrigação. Hoje, entendemos que ele protege e traz benefícios reais quando mais precisamos.” Da mesma forma, treinamentos de compliance, PLD-FT e ESG precisam ser internalizados para que façam sentido prático e ético no cotidiano das empresas.

Durante o debate, surgiu a dúvida de um participante sobre qual a periodicidade ideal para aplicação dos treinamentos. Os painelistas foram unânimes ao afirmar que, mais do que cumprir um calendário anual, é essencial revisitar o conteúdo sempre que surgirem novos riscos ou mudanças relevantes no ambiente de negócios. Assim, o treinamento se mantém vivo, relevante e conectado à realidade do time.

Engajamento, personalização e formatos inovadores

Para que os treinamentos realmente promovam mudança de comportamento, é preciso ir além do formato tradicional e buscar métodos inovadores que conectem as pessoas ao conteúdo. Os painelistas compartilharam experiências práticas como a adoção do storytelling, vídeos curtos, “pílulas” de conhecimento e recursos lúdicos. Segundo os especialistas, essa modernização tornou os treinamentos mais acessíveis, curtos e engajadores, facilitando a assimilação dos conceitos, especialmente em temas técnicos como compliance e PLD.

Outro ponto destacado foi a necessidade de adaptar o conteúdo às diferentes realidades regionais e perfis profissionais. Um exemplo citado foi a atuação em Foz do Iguaçu, onde as particularidades da região de fronteira exigiram personalização do treinamento para a equipe local.

Entre as dúvidas do público, destacou-se a questão sobre como comprovar a participação e mensurar a efetividade dos treinamentos. Os painelistas explicaram que as empresas utilizam certificados digitais, listas de presença e QR Codes para registrar a participação, além de avaliações periódicas e feedbacks que ajudam a medir o engajamento e o aprendizado ao longo do tempo.

Novos riscos e atualização contínua: o papel da inovação

A velocidade com que surgem novas ameaças e mudanças regulatórias desafia as empresas a inovar constantemente nos seus programas de treinamento. Diversidade de perfis, limitações operacionais e a necessidade de respostas rápidas são obstáculos presentes no cotidiano das áreas de compliance.

Entre os riscos emergentes, criptoativos, inteligência artificial e o impacto das redes sociais foram temas recorrentes. Para Filipe Alvarez, “a matriz de risco tem que estar o dia todo sendo atualizada e sensível às mudanças que estão acontecendo no contexto mais macro”. Inovação e vigilância permanente se tornaram imperativos para garantir a efetividade das políticas de integridade.

ESG e Compliance: da estratégia ao cotidiano

A integração entre compliance e ESG vai além da gestão de riscos: ela é essencial para destravar valor e garantir a sustentabilidade dos negócios no longo prazo. Os painelistas enfatizaram que práticas de governança sólidas e políticas ambientais e sociais bem estruturadas impactam diretamente a reputação, o acesso a investimentos e a competitividade das empresas. Rodolpho Oliveira resumiu: “Ter um programa de end-to-end, com ações preventivas, monitoramento e integração do ESG aos processos, é fundamental para gerar valor real e perene”.

No cenário regulatório, o Brasil tem avançado na adaptação das normas internacionais, como as do IFRS (International Financial Reporting Standards), para a realidade nacional, elevando o padrão de transparência e responsabilidade corporativa. Uma das dúvidas levantadas pelo público foi sobre a garantia de integridade junto a terceiros e influencers. Os painelistas destacaram a importância do processo de due diligence, do Know Your Partner e do monitoramento contínuo para assegurar que fornecedores e parceiros estejam alinhados aos mesmos padrões éticos da empresa.

Cultura de integridade como diferencial

O painel evidenciou que a construção de uma cultura de integridade depende de treinamentos relevantes, inovação constante e engajamento de todos os níveis da organização. Compliance, PLD-FT e ESG não são apenas requisitos, mas instrumentos de proteção e geração de valor. Ao final, fica o convite para que cada profissional reconheça seu papel nesse processo, contribuindo ativamente para um ambiente corporativo mais ético, transparente e preparado para os desafios do futuro.